segunda-feira, 27 de novembro de 2017
Austin rebaixa e coloca em observação negativa os ratings das Cotas Seniores e das Cotas Subordinadas Mezanino do FIDC Invest Dunas
A Austin Rating rebaixou, nesta data, os ratings das Cotas Seniores e das Cotas Subordinadas Mezanino do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Multissetorial Invest Dunas LP (FIDC Invest Dunas / Fundo). A classificação das Cotas Seniores foi rebaixada de ‘brBBB(sf)’ para ‘brBB-(sf)’, enquanto o rating das Cotas Subordinadas Mezanino foi rebaixado de ‘brBB(sf)’ para ‘brB-(sf)’. Na mesma ocasião, o Comitê também colocou os ratings em observação negativa, o que indica a possibilidade de um novo rebaixamento no curto prazo. O rebaixamento dos ratings das Cotas Seniores e das Cotas Subordinadas Mezanino do FIDC Invest Dunas decorre da alteração do perfil da carteira de Direitos Creditórios do Fundo, sobretudo durante o 3º trimestre de 2017 e nos meses mais recentes (período compreendido entre os meses de julho até a última data disponível, 22 de novembro de 2017). A ação de rating considerou, preponderantemente, a elevação expressiva do volume de créditos vencidos em relação à carteira e ao Patrimônio Líquido do Fundo (PL), que passou de 13,4% para 36,9% no período de destacado, bem como o aumento do prazo médio dos Direitos Creditórios (41 dias úteis para 76 dias úteis), como resultado do acréscimo nas transações representadas por cheques (8,4% do PL para 45,5% do PL). Com relação ao total de Direitos Creditórios, os percentuais de créditos vencidos e o volume de cheques também apresentaram aumento significativo. Em jul/17 o total de atrasos em relação à carteira correspondia a 13,2%, enquanto ao final do período (22/nov/17) esse volume alcançou 35,0%, e o volume de cheques passou de 8,3% para 43,1%. De acordo com as Consultoras do Fundo, a DunasPlus Soluções Financeiras Ltda. e a Brazil Plus Participações Ltda. (Dunas Plus e Brazil Plus / Consultoras), a alteração do perfil da carteira está relacionada a transações com 27 Cedentes, os quais realizaram negociações (muitas delas com cheques) com prazos superiores ao limite regulamentar. No entanto, em que pese as negociações efetuadas, o volume de atrasos manteve a trajetória de crescimento, conforme observado nas datas mais recentes, e não foram encaminhados para esta agência maiores esclarecimentos sobre esses créditos por parte das Consultoras. A Austin Rating destaca, ademais, que houve resgates de Cotas Seniores no montante de R$ 25,5 milhões, R$ 4,1 milhões de Cotas Subordinadas Mezanino, e R$ 37,6 milhões de Cotas Subordinadas Júnior, o que se refletiu na redução do PL do Fundo (R$ 119,6 milhões para R$ 95,5 milhões ao final do período) e, consequentemente, no aumento da concentração individual por Cedentes, Sacados e nos maiores Grupos. Segundo as Consultoras, os resgates das Cotas Seniores referem-se à solicitação de um investidor que migrou para Fundos de outra Gestora, e outros Cedentes que precisavam se enquadrar às concentrações máximas permitidas por suas instituições, portanto, os pagamentos já estavam previstos. Não obstante, as Consultoras preveem que os pedidos de resgates aumentarão nos próximos meses, tendo em vista as alterações promovidas pela Resolução do Banco Central sob nº 4.604, de 19 de outubro de 2017, que altera a Resolução nº 3.922, de 25 de novembro de 2010. Essa Resolução modificou os percentuais e regras para aplicação de recursos de Regimes Próprios de Previdência Privada (RPPS) em diversos tipos de fundos, inclusive FIDCs. Atualmente, após os resgates de Cotas apontados anteriormente, o FIDC Invest Dunas tem apenas RPPS como Cotistas. Adicionalmente, a participação de créditos liquidados na carteira do Fundo se mostrou muito reduzida na data mais recente analisada (22/11/17). Apenas R$ 7,6 milhões foram liquidados, sendo R$ 4,2 milhões em liquidação normal, o que pode representar um aumento ainda mais expressivo da inadimplência no encerramento do mês. A observação negativa sobre as Cotas Seniores e Cotas Subordinadas Mezanino do FIDC Invest Dunas encontra fundamento na possibilidade de liquidação antecipada do Fundo, ou ainda, de um expressivo volume de resgates de Cotas, tendo em vista o Fato Relevante publicado pela Administradora Fundo no dia 13 de novembro de 2017, com convocação de Assembleia de Cotistas, além apontados anteriormente, que poderão resultar em impactos diretos na liquidez do Fundo. A Assembleia Geral de Cotista (AGC) está agendada, de acordo com as Consultoras, para o dia 28 de novembro de 2017 (primeira convocação). Cumpre mencionar, ademais, que até a presente data não foi encaminhada para esta agência a auditoria da carteira de Direitos Creditórios, conforme mencionado nos relatórios de atribuições das classificações. Segundo as Consultoras, o trabalho encontrava-se em elaboração com entrega prevista para dia 24/11/17, o que até a presente ação não se confirmou e a data para o envio é incerta.